O que eles pensam delas

Porque lhes é o natural e divino complemento, as mulheres pensam muito nos homens, mas… curioso, preferem falar pouco deles. Têm provavelmente, tanto que falar, um mundo de opiniões a respeito; o homem é tanto, mas tanto para elas que, regra geral, preferem calar. Elas – imaginam! – que tanta fama têm de falar muito! …

Justamente o oposto dessa filosófica e sábia atitude das mulheres para com os homens, estes – e muito ao contrário – pensam também muito nelas, mas acabam falando demasiadamente delas. E como eles pensam… e como eles falam! …

Pesquisando este tema por vários anos, para reunir a tese em livro que agora caminha para a 4ª edição; depois de estudar detidamente a opinião de uns quinhentos autores, em cerca de três mil anos, no tempo e no espaço, daquilo que há de literatura, a começar pela Bíblia – então chegamos à conclusão de que eles se colocam em sete ângulos para essa análise.

Elogiam, e nisso vão longe. Criticam, e nisso vão ainda mais longe. Reparam de como elas se comportam entre si, para deduzir que não há lá muita paz entre elas… Confrontam-nas com eles mesmos e, sinceramente, acabam sabendo que lhes são inferiores em muita coisa, tanto que até melhor seria não fosse o paralelo feito. Advertem e aconselham, de modo que suas mães, irmãs, esposas e filhas, só teriam a ganhar se docilmente ouvissem. Resta ainda outro ponto: aquele em que os homens se confessam culpados, através dos séculos, de sua clamorosa incoerência para com as mulheres!

Terminado o livro, tinha mais de quinhentas páginas. Muito grande e modernamente impróprio. O editor pediu-nos cortar duzentas, no que levamos um ano, aproveitando as horas vagas. A verdade é que “eles pensam tanto nelas” que se alguém tivesse meio século de tempo para reunir tudo quanto eles falam a respeito do que delas pensam, não resultaria apenas mais alguns livros, mas respeitável biblioteca, em todas as línguas, vivas e mortas! …

Não é sem razão que as mulheres compreendem sua própria importância quando se lembram do texto: “Não é bom que o homem esteja só”. (Gen. 2:18).

Importância de tal magnitude que o homem, depois de quase seis mil anos, prossegue estudando acuradamente a linda companheira que Deus lhe deu, e ainda não completou o estudo… E vai continuar estudando-a até o fim… Acredito que só mesmo na eternidade é que vai parar. Então passará a admirá-la totalmente como a obra prima da Criação!

(Texto de Haroldo P. de Castro Lobo)